sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
DICA DE LEITURA - DIÁLOGOS DE PLATÃO
O
Banquete
O Banquete, também conhecido como Simpósio (em grego antigo: Συμπόσιον, transl. Sumpósion)
é um diálogo platônico escrito por volta de 380 a.C.. Constitui-se basicamente de uma série
de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor (eros).
O Banquete é, juntamente com o Fedro,
um dos dois diálogos de Platão em que o tema principal é o amor. A
interpretação de Leo Strauss e de Stanley
Rosen destaca o aspecto tragicômico deste diálogo, que é, na verdade, a
resposta de Platão às acusações da Cidade contra a filosofia.
Tò sumpósion, em grego, é em geral traduzido como O Banquete, mas, no sentido
atual, equivaleria a uma festa mundana, em que quase sempre se bebe mais do que
se come. Trata-se, pois, de um festim na casa de Agaton, poeta trágico ateniense. Sócrates é o mais importante
dentre os homens presentes. Entre outros, também ali estão Aristodemo, amigo e discípulo de Sócrates; Fedro,
o jovem retórico; Pausânias, amante de Agaton; o médico Eriximaco;
Aristófanes, comediante que ridicularizava
Sócrates, e o político Alcibíades.
O exagero cometido na festa do
dia anterior, sobretudo o excesso de bebida, fatigara
os convidados de Agaton. Pausânias propõe, então, que, em lugar de beber,
ficassem ali a conversar, a discutir ou que cada um fizesse algo
"diferente". A proposta de Pausânias é aceita por todos. Eriximaco
sugere que fossem feitos elogios a Eros:
os convidados deveriam fazer discursos para louvar o amor.
Sócrates intervém, ponderando que, antes de falar sobre o bem
que o amor causa e seus frutos, deveriam tratar de definir o que é o amor.
Diz que, na sua juventude, fora iniciado na filosofia do amor por Diotima de Mantinea,
que era uma sacerdotisa. Diotima lhe ensinou a genealogia do amor.
O primeiro a discursar sobre o
assunto é Fedro, seguido por Pausânias, que afirma que há
mais de um Eros, dividido entre bem e mal, real e divino. Após, segue
Eriximaco: segundo ele, o amor não exerce influência apenas nas almas, mas dá,
ainda, harmonia ao corpo.
O próximo a discursar é Aristófanes, que começa seu discurso advertindo
que sua forma de discursar será diferente. Faz de imediato uma denúncia da
insensibilidade dos homens para com o poder miraculoso de Eros, e sua consequente
impiedade para com um deus tão amigo. Para conhecer esse poder, ele diz que é
preciso antes conhecer a história da natureza humana e, dito isto, passa a
narrar o mito da nossa unidade primitiva e posterior mutilação. Segundo
Aristófanes, havia inicialmente três gêneros de seres humanos, que eram duplos
de si mesmos: havia o gênero masculino masculino, o feminino feminino e o
masculino feminino, o qual era chamado de andrógino. Nas palavras do poeta:
É então de há tanto tempo que
o amor de um pelo outro está implantado nos homens, restaurador da nossa antiga
natureza, em sua tentativa de fazer um só de dois e de curar a natureza humana.
Cada um de nós portanto uma téssera complementar de um
homem, porque cortado com os linguados, de um só em dois; e procura cada um o
seu próprio complemento.
Assim, aqueles que foram um
corte do andrógino, sejam homens ou mulheres, procuram o seu contrário. Isto
explica o amor heterossexual. E
aquelas que foram o corte da mulher, o mesmo ocorrendo com aqueles que são o
corte do masculino, procurarão se unir ao seu igual. Aqui Aristófanes apresenta uma explicação para o amor homossexual feminino e masculino. Quando estas
metades se encontram, sentem as mais extraordinárias sensações, intimidade e
amor, a ponto de não quererem mais se separar, e sentem-se a vontade de se
"fundirem" novamente num só. Esse é o nosso desejo ao encontramos a
nossa cara metade.
O amor para Aristófanes é,
portanto, o desejo e a procura da metade perdida por causa da
nossa injustiça contra os deuses. O último a elogiar o amor foi Agaton, o
anfitrião do banquete. Ao contrário dos que o precederam, Agaton não se propõe
enaltecer os benefícios que Eros faz ao homem, mas sim cantar o próprio deus e
a sua essência, passando em seguida a descrever-lhe o dote. Após toda essa
longa lista de virtudes atribuídas a Eros, nota-se o quanto o poeta
se distancia de sua proposta inicial e de seu preceito metodológico.
Finalmente chega a hora de
Sócrates discursar, e ele fala que, sendo o Amor, amor de algo, esse algo é por
ele certamente desejado. Mas este objeto do amor só pode ser desejado quando
lhe falta e não quando o possui, pois ninguém deseja aquilo de que não
precisa mais.
O que deseja, deseja aquilo de
que é carente, sem o que não deseja, se não for carente.
Aqui, na fala de Sócrates,
Platão coloca seu apontamento crucial sobre o conceito de amor, onde, o que se
ama é somente aquilo que não se tem. E se alguém ama a si mesmo, ama o que não
é. O objeto do amor sempre está ausente, mas sempre é solicitado. A verdade é algo
que está sempre mais além: sempre que pensamos tê-la atingido, ela se nos
escapa entre os dedos. Essa inquietação na origem de uma procura, visando uma
paixão ou um saber, faz do amor um filósofo. Sendo o Amor, amor daquilo que
falta, forçosamente não é belo nem bom, visto que necessariamente o Amor é amor
do belo e do bom. Não temos como desejar aquilo que temos. No mesmo diálogo,
Platão ainda fala sobre a origem de Eros (através do mito narrado por Diotima de Mantinéia
a Sócrates). Eros teria a natureza da falta justamente por ser filho de Recurso
e Pobreza.
Platão deixa entrever em O
Banquete, que Eros deve ser pensado em termos relacionais, não em termos absolutos.
Não se deve compreender o amor como absoluto, mas como relativo, pois é amor de
alguma coisa. O amor estabelece relação entre quem ama e aquele que é amado,
assim como a opinião certa medeia sabedoria e ignorância.
No texto, Platão retira de
Eros (Amor) a condição de deus, e transforma-o em um selo, um intermediário
entre os deuses e os mortais (o amor como ligação). Segundo relatos do texto de
Platão e de alguns de seus companheiros, o amor é um dos maiores bens do homem
(junto com o inteligência e a sabedoria); não é nem bom nem mal em si mesmo,
como prática. No diálogo, existe também uma explicação e a naturalização do
amor bissexual e do amor homossexual. Platão relaciona o amor com a verdade,
pois quando se ama não é somente exercer o poder sobre alguém ou demonstrar
força, mas trata-se de saber ser correspondido, ou seja, trata-se da verdade.
Para alguns intérpretes, o
conceito de amor em Platão em O Banquete é irracional e explicado pela natureza.
DICA DE LEITURA - DIÁLOGOS DE PLATÃO
Fédon
Fédon (ou Fedão; em grego: Φαίδων, transl. Phaídon)
é um dos grandes diálogos de Platão de seu período médio,
juntamente com a A República e O Banquete. Fédon, que retrata a morte de Sócrates, também é o quarto e último diálogo de
Platão a detalhar os últimos dias do filósofo depois das obras Eutífron, Apologia de Sócrates
e Críton. O tema da obra Fédon é
considerado ser a imortalidade da alma.1
O Fédon foi traduzido
pela primeira vez do grego para latim por Henry Aristippus em 1155.2
Sumário
Equécrates pede notícias a
Fédon sobre os últimos dias de Sócrates. Fédon explica que um atraso ocorreu
entre o julgamento e a morte, e descreve a cena em uma prisão em Atenas no
final do dia, nomeando os presentes. Ele conta como vistou a Sócrates no início
da manhã com os outros. A esposa de Sócrates Xantipe estava lá, mas estava
muito angustiada e Sócrates pediu que ela se recolhesse. Sócrates relata que
por causa de um sonho recorrente ele fora ordenado a "fazer e cultivar a
música", então escreveu um hino e, em seguida, começa a escrever poesias
com base em fábulas de Esopo.3
Neste diálogo, Sócrates
discute a natureza da vida após a morte
em seu último dia antes de ser executado bebendo cicuta. Sócrates foi preso e condenado à morte por um júri
ateniense por não acreditar nos deuses do Estado e de supostamente corromper a
juventude da cidade. O diálogo é contado a partir da perspectiva de um dos
alunos de Sócrates, Fédon de Elis. Tendo estado presente no leito de morte de
Sócrates, Fédon relata o diálogo desde aquele dia para Equécrates, um filósofo de Pitágoras. Ao envolver-se na dialética com um
grupo de amigos de Sócrates, incluindo os tebanos Cebes
e Símias, Sócrates explora vários argumentos a favor da imortalidade da alma, a
fim de mostrar que existe vida após a morte e que a alma vai existir depois dela.
Fédon conta que, após a discussão, ele e os outros ficaram lá para testemunhar
a morte de Sócrates.
Na ocasião de sua morte,
segundo Fédon, estavam Apolodoro, Critobulo
e seu pai, Hermógenes, Epígenes,
Ésquines, Antístenes, Ctesipo
de Peânia, Menexeno,
Símias o Tebano, Cebes, Fedondes,
Euclides e Terpsião,
além de outros. Segundo Fédon, Platão se encontrava doente.4
O mais importante a se
lembrar, antes de iniciar a leitura do diálogo, é que este é um diálogo que não
pertence à "fase socrática" de Platão, (divisão utilizada por alguns
Filósofos). Sendo assim, ele estaria apenas usando a imagem do mestre para
"divulgar" seu próprio projeto filosófico.Isto pode ser confirmado em
determinadas passagens, como por exemplo, naquela onde Cebes comenta: "(…)
Como o que costumas dizer amiúde : aprender nada mais é que recordar."
Este trecho mostra claramente a ideia de Platão acerca do mundo das ideias, sua
máxima teoria.
Platão recebeu uma influência
muito forte da religião Órfica, que cria na alma e reencarnação. O diálogo
Fédon é uma máxima desta influência, onde Platão faz o primeiro postulado
acerca da alma.1 O diálogo "Fédon", já da
maturidade de Platão, ocorre na época posterior ao julgamento de Sócrates, e
anterior à sua execução com a cicuta. Seus discípulos o cercam nesses últimos
instantes de vida, sofrendo muito, parecendo por todo o tempo não entender a
mensagem principal de Sócrates: que a morte é uma escolha, já em vida, de quem
é filósofo: "o exercício próprio dos filósofos não é precisamente libertar
a alma e afastá-la do corpo?". Para Platão, o corpo, ao mesmo tempo em que
pode atrapalhar o pensamento filosófico, como distração dos sentidos, também
está ligado a esse pensar. Há uma interdependência e uma diferença entre os
planos da perceção e da inteligibilidade.
Cronologia
Existe um acordo general entre
os especialistas em colocar este diálogo entre as obras mais tardias de Platão.
Por volta dos seus quarenta anos, após regressar a Atenas da sua viagem à Sicília (Carta VII, 324a), funda a Academia e escreve
o Fédon, o Banquete, A República e o Fedro,
aproximadamente por esta ordem. Isto acontece por volta do ano 387 a.C., quando Platão chega nestas obras não
somente a elaborar e expressar de maneira cabal as suas próprias ideias
filosóficas, mas também chega ao auge do seu estilo e capacidade compositiva. 5 6 7
Situação
dramática
Fédon de Élis,
discípulo de Sócrates, encontra-se com o pitagórico Equécrates, provavelmente na pátria de este
último. Ali, Fédon narra o sucedido nas últimas horas de vida de Sócrates e do
que se falou nessa ocasião. Isto permite a Platão dispor de um narrador que
possa apresentar ao leitor não só o diálogo em si, mas também toda a cena e
ações dos protagonistas.
O diálogo narrado por Fedón é
situado na prisão onde Sócrates estava detido esperando o momento da sua
execução, em Atenas, no ano 399 a.C.. Ainda que na
cena estejam presentes a sua esposa Xântipe e quatorze de seus amigos, entre os quais
se encontravam Antístenes, Euclides e Críton
(59b), os interlocutores principais de Sócrates são Símias e Cebes,
antigos discípulos do pitagórico Filolau.8 9 10
Conteúdo
Prólogo (57a
- 60b)
Equécrates pergunta a Fedón
acerca das circunstâncias da morte de Sócrates. Fédon começa, explicando a
razão de ter Sócrates morrido tanto tempo depois da sua condenação: a cidade
estava a festejar uma cerimónia religiosa durante a qual se deviam suspender as
execuções. Equécrates volta a perguntar acerca de quem esteve e o que se disse
e fez na ocasião. Fedón menciona os presentes e refere os seus próprios
sentimentos contraditórios: tanto o prazer da conversação, como a dor ante a
morte iminente do seu amigo. É narrada uma cena onde Xântipe teve que se retirada por Críton,
a pedido de Sócrates, visto que ela se tinha posto a gritar e a dar pancadas no
peito, emocionada pela chegada dos amigos de Sócrates.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
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