Fédon (ou Fedão; em grego: Φαίδων, transl. Phaídon)
é um dos grandes diálogos de Platão de seu período médio,
juntamente com a A República e O Banquete. Fédon, que retrata a morte de Sócrates, também é o quarto e último diálogo de
Platão a detalhar os últimos dias do filósofo depois das obras Eutífron, Apologia de Sócrates
e Críton. O tema da obra Fédon é
considerado ser a imortalidade da alma.1
O Fédon foi traduzido
pela primeira vez do grego para latim por Henry Aristippus em 1155.2
Sumário
Equécrates pede notícias a
Fédon sobre os últimos dias de Sócrates. Fédon explica que um atraso ocorreu
entre o julgamento e a morte, e descreve a cena em uma prisão em Atenas no
final do dia, nomeando os presentes. Ele conta como vistou a Sócrates no início
da manhã com os outros. A esposa de Sócrates Xantipe estava lá, mas estava
muito angustiada e Sócrates pediu que ela se recolhesse. Sócrates relata que
por causa de um sonho recorrente ele fora ordenado a "fazer e cultivar a
música", então escreveu um hino e, em seguida, começa a escrever poesias
com base em fábulas de Esopo.3
Neste diálogo, Sócrates
discute a natureza da vida após a morte
em seu último dia antes de ser executado bebendo cicuta. Sócrates foi preso e condenado à morte por um júri
ateniense por não acreditar nos deuses do Estado e de supostamente corromper a
juventude da cidade. O diálogo é contado a partir da perspectiva de um dos
alunos de Sócrates, Fédon de Elis. Tendo estado presente no leito de morte de
Sócrates, Fédon relata o diálogo desde aquele dia para Equécrates, um filósofo de Pitágoras. Ao envolver-se na dialética com um
grupo de amigos de Sócrates, incluindo os tebanos Cebes
e Símias, Sócrates explora vários argumentos a favor da imortalidade da alma, a
fim de mostrar que existe vida após a morte e que a alma vai existir depois dela.
Fédon conta que, após a discussão, ele e os outros ficaram lá para testemunhar
a morte de Sócrates.
Na ocasião de sua morte,
segundo Fédon, estavam Apolodoro, Critobulo
e seu pai, Hermógenes, Epígenes,
Ésquines, Antístenes, Ctesipo
de Peânia, Menexeno,
Símias o Tebano, Cebes, Fedondes,
Euclides e Terpsião,
além de outros. Segundo Fédon, Platão se encontrava doente.4
O mais importante a se
lembrar, antes de iniciar a leitura do diálogo, é que este é um diálogo que não
pertence à "fase socrática" de Platão, (divisão utilizada por alguns
Filósofos). Sendo assim, ele estaria apenas usando a imagem do mestre para
"divulgar" seu próprio projeto filosófico.Isto pode ser confirmado em
determinadas passagens, como por exemplo, naquela onde Cebes comenta: "(…)
Como o que costumas dizer amiúde : aprender nada mais é que recordar."
Este trecho mostra claramente a ideia de Platão acerca do mundo das ideias, sua
máxima teoria.
Platão recebeu uma influência
muito forte da religião Órfica, que cria na alma e reencarnação. O diálogo
Fédon é uma máxima desta influência, onde Platão faz o primeiro postulado
acerca da alma.1 O diálogo "Fédon", já da
maturidade de Platão, ocorre na época posterior ao julgamento de Sócrates, e
anterior à sua execução com a cicuta. Seus discípulos o cercam nesses últimos
instantes de vida, sofrendo muito, parecendo por todo o tempo não entender a
mensagem principal de Sócrates: que a morte é uma escolha, já em vida, de quem
é filósofo: "o exercício próprio dos filósofos não é precisamente libertar
a alma e afastá-la do corpo?". Para Platão, o corpo, ao mesmo tempo em que
pode atrapalhar o pensamento filosófico, como distração dos sentidos, também
está ligado a esse pensar. Há uma interdependência e uma diferença entre os
planos da perceção e da inteligibilidade.
Cronologia
Existe um acordo general entre
os especialistas em colocar este diálogo entre as obras mais tardias de Platão.
Por volta dos seus quarenta anos, após regressar a Atenas da sua viagem à Sicília (Carta VII, 324a), funda a Academia e escreve
o Fédon, o Banquete, A República e o Fedro,
aproximadamente por esta ordem. Isto acontece por volta do ano 387 a.C., quando Platão chega nestas obras não
somente a elaborar e expressar de maneira cabal as suas próprias ideias
filosóficas, mas também chega ao auge do seu estilo e capacidade compositiva. 5 6 7
Situação
dramática
Fédon de Élis,
discípulo de Sócrates, encontra-se com o pitagórico Equécrates, provavelmente na pátria de este
último. Ali, Fédon narra o sucedido nas últimas horas de vida de Sócrates e do
que se falou nessa ocasião. Isto permite a Platão dispor de um narrador que
possa apresentar ao leitor não só o diálogo em si, mas também toda a cena e
ações dos protagonistas.
O diálogo narrado por Fedón é
situado na prisão onde Sócrates estava detido esperando o momento da sua
execução, em Atenas, no ano 399 a.C.. Ainda que na
cena estejam presentes a sua esposa Xântipe e quatorze de seus amigos, entre os quais
se encontravam Antístenes, Euclides e Críton
(59b), os interlocutores principais de Sócrates são Símias e Cebes,
antigos discípulos do pitagórico Filolau.8 9 10
Conteúdo
Prólogo (57a
- 60b)
Equécrates pergunta a Fedón
acerca das circunstâncias da morte de Sócrates. Fédon começa, explicando a
razão de ter Sócrates morrido tanto tempo depois da sua condenação: a cidade
estava a festejar uma cerimónia religiosa durante a qual se deviam suspender as
execuções. Equécrates volta a perguntar acerca de quem esteve e o que se disse
e fez na ocasião. Fedón menciona os presentes e refere os seus próprios
sentimentos contraditórios: tanto o prazer da conversação, como a dor ante a
morte iminente do seu amigo. É narrada uma cena onde Xântipe teve que se retirada por Críton,
a pedido de Sócrates, visto que ela se tinha posto a gritar e a dar pancadas no
peito, emocionada pela chegada dos amigos de Sócrates.

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