domingo, 31 de março de 2013
sábado, 30 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
GREGÓRIO DE MATOS: SONETOS
(El Greco)
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
sábado, 23 de março de 2013
FILOSOFIA - QUEM É DEUS?
Estou seguro, Senhor, de que te
amo; disso não tenho dúvidas. Tocaste-me o coração com a tua palavra, e comecei
a amar-te. O céu, a terra e tudo que neles existe dizem-me por toda parte que
te ame, e não cessam de repeti-lo a todos os homens, “de modo que eles não tem
desculpa”.[1]
Terás compaixão mais profunda de quem já foste misericordioso.[2] De
outra forma, o céu e a terra pronunciariam teus louvores a surdos.
Mas,
que amo eu quando te amo? Não uma beleza corporal ou uma graça transitória, nem
o esplendor da luz, tão cara a meus olhos, nem as doces melodias de variadas
cantilenas, nem o suave odor das flores, dos ungüentos, dos aromas, nem o maná
ou o mel, nem os membros tão suscetíveis às carícias carnais. Nada disso eu
amo, quando amo o meu Deus. E contudo, amo a luz, a voz, o perfume, o alimento
e o abraço, quando amo o meu Deus: a luz, a voz, o odor, o alimento, o abraço
do homem interior que habita em mim, onde para a minha alma brilha uma luz que
nenhum espaço contém, onde ressoa uma voz que o tempo não destrói, de onde
exala um perfume que o vento não dissipa, onde se saboreia uma comida que o
apetite não diminui, onde se estabelece um contato que a sociedade não desfaz.
Eis o que amo quando amo o meu Deus.
E
o que é isso? Perguntei à terra, e esta me respondeu: “Não sou eu”. E tudo o
que nela existe me respondeu a mesma coisa. Interroguei o mar, os abismos e os
seres vivos,[3] e todos
me responderam: “Não somos o teu Deus; busca-o acima de nós”. Perguntei aos
ventos que sopram, e toda a atmosfera com seus habitantes me responderam:
“Anaxímenes está enganado;[4]
não somos o teu Deus”. Interroguei o céu, o sol, a lua e as estrelas: “Nós
também não somos o Deus que procuras”. Pedi a todos os seres que me rodeiam o
corpo: “Falai-me do meu Deus, já que não sois o meu Deus; dizei-me ao menos
alguma coisa sobre ele”. E exclamaram em alta voz: “Foi ele quem nos criou”.[5] Para
interrogá-los, eu os contemplava, e sua resposta era a sua beleza. Dirigi-me
então a mim mesmo, e me perguntei: “E tu, quem és”? E respondi: “Um homem”.
Tenho à minha disposição um corpo e uma alma, o primeiro é exterior e a outra é
interior. A qual dos dois deverei perguntar pelo meu Deus? Através do corpo já
o procurei, desde a terra até o céu, até onde pude enviar, como mensageiros, os
raios do meu olhar. Mas a parte interior – a alma – é superior ao corpo. A ela,
como a quem preside e julga, é que todos os mensageiros do corpo dirigiam as
respostas do céu, da terra e de tudo o que neles existe: “Não somos Deus”. E
ainda: “Foi ele quem nos criou”. O homem interior conheceu tais fatos graças ao
homem exterior. Eu os conheci, eu, o espírito, graças aos sentidos do corpo.
Perguntei pelo meu Deus a toda a imensidão do universo, e esta me respondeu:
“Eu não sou Deus, mas foi ele quem me fez”.
Mas
essa beleza acaso não se manifesta claramente a todos os que são dotados de
sentidos perfeitos? Por que não fala a todos a mesma linguagem? Os animais,
sejam grandes ou pequenos, a vêem, mas não podem fazer-lhe perguntas. Não lhes
foi concedida a razão, capaz de julgar as mensagens dos sentidos. Aos homens,
porém, é dado indagar, para perceberem “o Deus invisível através da compreensão
das coisas criadas”.[6]
Mas, escravizando-se a estas pela paixão, já não as podem julgar. E estas só
respondem aos que podem julgar-lhes as respostas: não mudam de linguagem, isto
é, de aparência, se um a vê simplesmente enquanto outro a vê e a interroga. Não
aparecem diversamente a um e a outro. Mas, aparecendo a um e a outro do mesmo
modo, são mudas para o primeiro e só respondem ao segundo. Ou antes, falam a
todos, mas somente as entendem aqueles que comparam a voz vinda do exterior com
a verdade interior. De fato, a verdade me diz: “O teu Deus não é a terra, nem o
céu, nem qualquer outro ser corporal”. É isso que a natureza das coisas afirma,
e todos podem ver, pois a matéria é menor na parte que no todo. Tu, alma,
digo-te que és mais importante que o corpo, sem dúvida, pois és tu que lhe dás
a vida, e nenhum corpo pode fazer o mesmo a outro corpo. Mas o teu Deus é
também a vida da tua vida.
Santo Agostinho. Confissões. Ed. Paulus.
sexta-feira, 22 de março de 2013
O TEMA DA CRUCIFICAÇÃO NA ARTE MODERNA
(Salvador Dalí)
(Emil Nolde)
(Paul Gauguin)
(Marc Chagall)
(Guignard)
(Georges Rouault)
(W.J. Solha)
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