Formação do Brasil
Contemporâneo é um livro de Caio Prado Júnior,
que foi um historiador de orientação
marxista. Lançado em 1942, o seu tema é em torno
dos três séculos do Brasil colônia. Caio Prado pretendia escrever mais dois
livros, um retratando o Brasil Império e, finalizando, com a história do Brasil
pós-1889; completando assim uma triologia acerca de sua intepretação sobre o
país (assim como realizou Gilberto Freyre com
"Casa-Grande &
Senzala", "Sobrados e Mucambos"
e "Ordem e Progresso").
A meta que o autor pretendia
atingir com a sua obra era "uma síntese do Brasil que saía, já formado e
constituído, dos três séculos de evolução colonial".
Nessa obra o autor analisa o
país a partir de uma óptica econômica, mostrando que o Brasil faz parte de um
empreendimento maior - o contexto da expansão marítima portuguesa em busca dos
mercados orientais. Em sua mais ilustre passagem da obra, na qual discute o
sentido da colonização, mostra que o desenvolvimento da colônia (povoamento,
atividades comerciais, agricultura) atendeu aos interesses da métrópole
(Portugal). Caio Prado afirma que o Brasil só se constitui "para fornecer
tabaco, açúcar, alguns outros gêneros; mais tarde, ouros e diamantes; depois,
algodão, e em seguida café, para o comércio europeu".
Ao final, Caio Prado faz um
balanço negativos dos três séculos da colonização, pois tratou-se somente de
uma "exploração extensiva e simplesmente especuladora, instável no tempo e
no espaço, dos recursos naturais do país".
Em sua obra, Caio Prado busca
salientar a formação econômica do povo brasileiro, bem como o desenvolvimento
do capitalismo. No seu conjunto, a colonização toma o aspecto de uma vasta empresa
comercial, destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em
proveito do comércio europeu. E este é o verdadeiro sentido da colonização
tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos
fundamentais, tanto no plano econômico como no social, da formação e evolução
da formação da história dos trópicos americanos.
Se vamos à ausência da nossa
formação, veremos na realidade que nos constituímos para fornecer açúcar,
tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois, algodão e,
em seguida, café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal
objetivo, exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que
não fossem o interesse daquele comercio, que se organizarão a sociedade e a
economia brasileiras.
O sentido da evolução ainda se
afirma por aquele caráter inicial da colonização.
O Conceito
de "Sentido" como ruptura dentro do Pensamento Social Brasileiro.
Caio Prado foi o primeiro a
nacionalizar o marxismo. Mais do que um acadêmico ou pensador, o historiador
Caio Prado Jr primou pela coerência. Preso, perseguido ou marginalizado dentro
da própria organização política que militava, não se deixou seduzir por sua
classe social de origem - a burguesia. Prado foi o primeiro a usar o método
marxista do materialismo histórico para analisar a condição brasileira. Ele não
vê o marxismo como um conjunto de fórmulas prontas com uma validade universal,
mas o vê muito mais como uma abordagem. Ele lida com fatos em termos de
relações, processos e estruturas, localiza e explica desigualdades,
diversidadese contradições sociais. A partir dessa perspectiva, ele vai tentar
entender a particularidade, a especificidade da experiência brasileira, numa
referência claramente marxista (Ricupero). Sua "redescoberta do Brasil"
foi mais radical do que a de Gilberto Freyre e a de Sérgio Buarque de Holanda.
Ele representaria o "Bem", ao lado de S. B. de Holanda, contra o
"Mal", representado por Gilberto Freyre, na análise comparativa feita
pelos historiadores paulistas. "Redescobrir o Brasil" significa ver
que ao lado da elite existe a grande massa da população brasileira e, nesta
"face oculta", reside o verdadeiro Brasil.
Embora Caio Prado não tenha
obtido muito sucesso com suas obras filosóficas, todas as suas grandes obras são
de síntese e nelas ele se pergunta sobre "o sentido da história
brasileira". Caio Prado entende como “sentido” a história de um povo
analisada num processo de longa duração observando-se os elementos essenciais
(aqueles que direcionam os acontecimentos gerais) existentes. Desta maneira, o
autor visa pensar o específico sem perder de vista o movimento que lhe
transcende. Ele percebe uma continuidade de sentido entre o passado colonial e
o tempo contemporâneo. Por isso busca compreender o Brasil contemporâneo a
partir de seu passado, de modo a perceber qual é o sentido histórico do Brasil.
No caso, a produção de capital externo.
O esforço de síntese e a
pergunta sobre o "sentido" caracterizam geralmente o temperamento
filosófico: uma preocupação com a identidade, uma interrogação sobre o
"ser brasileiro" e sobre o "tornar-se brasileiro". Ele
parte do abstrato, buscando compreender o sentido da colonização, para o
concreto, demonstrando os resultados práticos do processo de colonização.
Ter em vista o "sentido
da colonização" do Brasil desde o seu início é compreender o essencial do
Brasil. E desde o início, integrado à expansão mercantil, o Brasil é
capitalista. Prado mostra como as modificações pelas quais o Brasil passara e
estava passando eram superficiais, havendo sempre a presença incômoda,
invencível e indissociável no processo de evolução nacional. O país sempre
compartilhou do mesmo sistema e das mesmas relações econômicas que deram origem
ao capitalismo. O escravismo que predominou aqui não é incompatível com o modo
de produção capitalista. A abolição da escravidão será a culminação de um modo
de produção já implantado desde o início. O trabalho escravo satisfaz às
exigências do trabalho livre, exceto quanto à liberdade individual do
trabalhador de ir e vir e ser contratado e distratar. Ambos, escravos e livres,
recebem uma compensação pelos serviços prestados e ambos lutam por objetivos
comuns: a melhoria desta remuneração.
Nas palavras de Plínio
Sampaio, o historiador deixa um legado para a esquerda mais amplo do que sua
obra e ainda gera debates e contribuições. Entretanto, deve-se ressaltar que o
autor é criticado por ser economicista e censurado por não utilizar fontes
primárias.

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