A tênue
linha que separa o amor e o ódio, a lealdade e a traição, o heroísmo e a
covardia, a fé e a descrença… a vida e a morte. Escrito por Ernest Hemingway e
publicado em 1940 em homenagem aos seus amigos republicanos vencidos pelos
nacionalistas na Guerra Civil da Espanha (1936-1939), “Por Quem os Sinos
Dobram” expõe os limites humanos nus e crus.
Robert
Jordan, um idealista americano, engaja-se na Brigada Internacional apoiando os
republicanos na Guerra Civil Espanhola. Em missão para o Serviço de
Inteligência Militar (S.I.M.), Jordan é designado para explodir uma ponte em
uma ofensiva.
Anselmo,
seu guia, leva-o até o grupo de guerrilheiros – ou partizans – que o deverá
ajudar na empreitada, onde conhece Pablo (líder até então) e Pilar, sua
“bárbara”, enérgica e sábia mulher. Encontra ainda Fernando, homem burocrático
de tão sério, os irmãos Eládio e Andrés, o cigano Rafael (não tão responsável
como os outros) e Maria, a rapariga por quem viria a se apaixonar e conhecer o
amor, sentimento que o leva a fazer questionamentos àquele ataque e a ver a
guerra e aventura humana com outros olhos.
Pilar, no
relato de suas recordações, mostra a intensidade do amor dos tempos da tourada,
ao lado do toureiro Finito. Com suas palavras também nos leva, fatalmente, ao
âmago da revolta que gerou ódio e violência no início da guerra: terror e
crueldade na execução de civis e o hediondo episódio da “malhação” de manguais
sofridos pelos fascistas. Esta matança coletiva presidida por Pablo e executada
por camponeses ébrios de vinho não poupou nem mesmo um padre, o que acabou
perturbando Pablo fazendo-o, mais tarde, abrandar suas atitudes na guerra (ou
se acovardar, no julgamento de Pilar).
A
crueldade ilimitada trouxe consigo a descrença, como mostra o questionamento de
Jordan: “– Então, você não tem mais Deus?”, onde o leal Anselmo responde: “–
Não, homem. Certo que não. Se houvesse Deus, Ele nunca permitiria o que tenho
visto com meus olhos.” (p. 37).
Em seus
monólogos, Jordan travava uma guerra consigo mesmo, pois mesmo com os objetivos
claros, inquietou-se devido às circunstâncias: “Que caso! Você caminha a vida
inteira com uma idéia, certo de que significa alguma coisa e acaba convencendo-se
de que não significa absolutamente nada. Esta porcaria de agora!” (p. 151-2).
Ocorrências estas como o amor de Maria, a petulância e traição de Pablo e a
ameaça do ataque da cavalaria fascista que dizima o bando do aliado El Sordo.
Erradicados
os anseios e dúvidas, a ponte finalmente é explodida. Arremessados os
estilhaços e baixada a poeira, conta-se os mortos: para a dor de Jordan,
Anselmo, seguido de Eládio e um Fernando agonizante. Mas, durante a fuga, uma
montanha espera Robert Jordan com o fim da linha dos extremos. E os sinos
dobram por ele, assim como dobram por ti.
(Resenha
de Daíza Lacerda)
Por
Quem os Sinos Dobram (em inglês: For Whom the Bell Tolls) é um romance de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway, considerado pela crítica uma das suas melhores
obras 1 .
O
livro narra a história de Robert Jordan, um jovem norte-americano das Brigadas
Internacionais. Professor
de espanhol que se tornou conhecedor do uso de explosivos, Jordan recebe a
missão de explodir uma ponte por ocasião de um ataque simultâneo à
cidade de Segóvia.
Hemingway
usa como referência sua experiência pessoal como participante voluntário da Guerra
Civil Espanhola2 ao lado dos republicanos e faz uma análise ácida,
com críticas à atuação extremamente violenta das tropas de ambos os lados: a
direita auxiliada pelo governo fascista italiano e nazista alemão e a esquerda
pelas brigadas internacionais e União
Soviética. Critica também
a burocratização e o panorama de privilégios rapidamente instaurado no lado da
República.
Acima
de tudo o livro trata, no entanto, da condição humana. O título é referência a
um poema do pastor e escritor inglês John Donne que se encontra na obra "Poems on Several
Occasions" que em português chama-se "Meditações", e invoca o
absurdo da guerra, mormente a guerra civil, travada entre irmãos. "Quando
morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade".Em
várias passagens do texto os personagens estranham e se estranham desempenhando
os papéis bizarros que se viram forçados a assumir durante a guerra, e
fraquejam ao ver nos inimigos seres humanos que poderiam estar de qualquer um
dos lados da guerra. 3
Hemingway, Ernest, 1899-1961, jornalista, novelista e contista
norte-americano, foi o representante não apenas do seu país, mas também do
nosso tempo, com cuja magnífica obra granjeou o Prêmio Nobel de 1954.
Participou da Primeira Guerra Mundial como voluntário, com apenas 19 anos,
junto aos exércitos francês e italiano, o que lhe permitiu melhor avaliar a
alegria de viver e a exaltação da luta, que é a manifestação da própria vida, além
de toda a sordidez da guerra, carnificina anônima, anárquica, insensata. Mais
tarde, foi correspondente na Europa de jornais da América. A sua condição de
combatente e jornalista proporcionou-lhe elementos preciosos para vários dos
seus trabalhos literários, entre os quais sobressaem Adeus às Armas,
pungente retrato de conflitos humanos gerados pela Primeira Guerra Mundial, e
Por Quem os Sinos Dobram, extraordinária e comovente história cujo pano de
fundo é a guerra civil espanhola.

Nenhum comentário:
Postar um comentário