quarta-feira, 12 de junho de 2013

DICA DE LEITURA - 3ª SÉRIE A - DISCIPLINA HISTÓRIA - TEMA GUERRA CIVIL ESPANHOLA





A tênue linha que separa o amor e o ódio, a lealdade e a traição, o heroísmo e a covardia, a fé e a descrença… a vida e a morte. Escrito por Ernest Hemingway e publicado em 1940 em homenagem aos seus amigos republicanos vencidos pelos nacionalistas na Guerra Civil da Espanha (1936-1939), “Por Quem os Sinos Dobram” expõe os limites humanos nus e crus.

Robert Jordan, um idealista americano, engaja-se na Brigada Internacional apoiando os republicanos na Guerra Civil Espanhola. Em missão para o Serviço de Inteligência Militar (S.I.M.), Jordan é designado para explodir uma ponte em uma ofensiva.

Anselmo, seu guia, leva-o até o grupo de guerrilheiros – ou partizans – que o deverá ajudar na empreitada, onde conhece Pablo (líder até então) e Pilar, sua “bárbara”, enérgica e sábia mulher. Encontra ainda Fernando, homem burocrático de tão sério, os irmãos Eládio e Andrés, o cigano Rafael (não tão responsável como os outros) e Maria, a rapariga por quem viria a se apaixonar e conhecer o amor, sentimento que o leva a fazer questionamentos àquele ataque e a ver a guerra e aventura humana com outros olhos.

Pilar, no relato de suas recordações, mostra a intensidade do amor dos tempos da tourada, ao lado do toureiro Finito. Com suas palavras também nos leva, fatalmente, ao âmago da revolta que gerou ódio e violência no início da guerra: terror e crueldade na execução de civis e o hediondo episódio da “malhação” de manguais sofridos pelos fascistas. Esta matança coletiva presidida por Pablo e executada por camponeses ébrios de vinho não poupou nem mesmo um padre, o que acabou perturbando Pablo fazendo-o, mais tarde, abrandar suas atitudes na guerra (ou se acovardar, no julgamento de Pilar).

A crueldade ilimitada trouxe consigo a descrença, como mostra o questionamento de Jordan: “– Então, você não tem mais Deus?”, onde o leal Anselmo responde: “– Não, homem. Certo que não. Se houvesse Deus, Ele nunca permitiria o que tenho visto com meus olhos.” (p. 37).

Em seus monólogos, Jordan travava uma guerra consigo mesmo, pois mesmo com os objetivos claros, inquietou-se devido às circunstâncias: “Que caso! Você caminha a vida inteira com uma idéia, certo de que significa alguma coisa e acaba convencendo-se de que não significa absolutamente nada. Esta porcaria de agora!” (p. 151-2). Ocorrências estas como o amor de Maria, a petulância e traição de Pablo e a ameaça do ataque da cavalaria fascista que dizima o bando do aliado El Sordo.

Erradicados os anseios e dúvidas, a ponte finalmente é explodida. Arremessados os estilhaços e baixada a poeira, conta-se os mortos: para a dor de Jordan, Anselmo, seguido de Eládio e um Fernando agonizante. Mas, durante a fuga, uma montanha espera Robert Jordan com o fim da linha dos extremos. E os sinos dobram por ele, assim como dobram por ti.

(Resenha de Daíza Lacerda)

 

Por Quem os Sinos Dobram (em inglês: For Whom the Bell Tolls) é um romance de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway, considerado pela crítica uma das suas melhores obras 1 .

O livro narra a história de Robert Jordan, um jovem norte-americano das Brigadas Internacionais. Professor de espanhol que se tornou conhecedor do uso de explosivos, Jordan recebe a missão de explodir uma ponte por ocasião de um ataque simultâneo à cidade de Segóvia.

Hemingway usa como referência sua experiência pessoal como participante voluntário da Guerra Civil Espanhola2 ao lado dos republicanos e faz uma análise ácida, com críticas à atuação extremamente violenta das tropas de ambos os lados: a direita auxiliada pelo governo fascista italiano e nazista alemão e a esquerda pelas brigadas internacionais e União Soviética. Critica também a burocratização e o panorama de privilégios rapidamente instaurado no lado da República.

Acima de tudo o livro trata, no entanto, da condição humana. O título é referência a um poema do pastor e escritor inglês John Donne que se encontra na obra "Poems on Several Occasions" que em português chama-se "Meditações", e invoca o absurdo da guerra, mormente a guerra civil, travada entre irmãos. "Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade".Em várias passagens do texto os personagens estranham e se estranham desempenhando os papéis bizarros que se viram forçados a assumir durante a guerra, e fraquejam ao ver nos inimigos seres humanos que poderiam estar de qualquer um dos lados da guerra. 3

 

Hemingway, Ernest, 1899-1961, jornalista, novelista e contista norte-americano, foi o representante não apenas do seu país, mas também do nosso tempo, com cuja magnífica obra granjeou o Prêmio Nobel de 1954. Participou da Primeira Guerra Mundial como voluntário, com apenas 19 anos, junto aos exércitos francês e italiano, o que lhe permitiu melhor avaliar a alegria de viver e a exaltação da luta, que é a manifestação da própria vida, além de toda a sordidez da guerra, carnificina anônima, anárquica, insensata. Mais tarde, foi correspondente na Europa de jornais da América. A sua condição de combatente e jornalista proporcionou-lhe elementos preciosos para vários dos seus trabalhos literários, entre os quais sobressaem Adeus às Armas, pungente retrato de conflitos humanos gerados pela Primeira Guerra Mundial, e Por Quem os Sinos Dobram, extraordinária e comovente história cujo pano de fundo é a guerra civil espanhola.

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